Para mim, presente é algo que alguém providencia para uma pessoa especial, pensando em cada característica dessa pessoa. Requer tempo, reflexão, muitas vezes planejamento.
Por isso, tenho horror a cheque-presente, cartão presente ou o que for.
Para a filha de uma amiga especial, que estava se formando, estava com dificuldades de "personalizar" a escolha. Isso até descobrir que a moça adora joaninhas. Que tem muiiitas coisas com o tema.
Então foi só botar a mão na massa, sair à cata de tudo o que pudesse colaborar com as criações, e preparar algo para ela.
O resultado foi a caixinha abaixo. Para cada nincho, um elemento especial. (clique na imagem para ver em tamanho grande e poder ler as descrições)
Por fim, a embalagem (que eu também acho que desempenha papel importante no ato de presentear, na medida em que mostra o carinho com que preparamos ou escolhemos o presente):
Presente para alguém
Pequenos luxos e mimos
Em casa.
Chove.
Só eu e meu filho de 8 anos (marido trabalhando, filha, de 15, viajando).
Resultado: tivemos um almoço digno de refeição preparada por chef:
Filé mignon de novilho grelhado sobre manteiga de sálvia e alecrim (colhidos na "horta-vaso" de meu cantinho), servido sobre "caminha" de queijo brie derretido com nata fresca e, sob tudo, crostine do mesmo queijo;
Purê de batata doce;
Suco natural de maracujá com carambola, colocado em taças "bojudas", decorados com uma "estrela" de carambola e folhinhas de hortelã (da mesma horta-vaso) em canudo preto.
O melhor de tudo doi que o filho de 8 anos adorou a coisa toda, da maneira como o almoço foi servido, comendo e tomando tudinho.
Brindamos enquanto a chuvinha fina caía. Degustamos e nos divertimos...
Ai, ai. Coisa boa estar de férias. Em POA...
Salto alto
Banho, roupa, maquiagem... e agora? O mais difícil... sapatos!
Se pudesse, andava sempre descalça. É como fico sempre que estou em casa e a temperatura lá fora é maior que 10ºC.
Tenho horror a escolher sapatos. À exceção de um bom tênis, todos, a certa altura, tornam-se desconfortáveis.
Lembro de alguns comentários que já escutei por ai (amigos, rádio, televisão) sobre a diferença que faz um salto alto para a mulher. Tolinha, embarco nessa de fazer charme e coloco um sapato (lindo, por sinal - na prateleira...) cor de ameixa, salto plataforma delicado, e lá vou eu, abafando.
Meia hora depois já não sei o que fazer com meus pés. A dor é lancinante.
Passo a equilibrar-me desajeitadamente sobre eles.
Minha biblioteca, e últimas leituras, está recheada de autores chineses, que, saídos do país há duas décadas, começam agora a revelar ao mundo algumas das verdades do oriente que ignorávamos quase que por completo. Uma das descrições que aparecem em todas as obras que contam a histórias das gerações daquele país e que mais me apavora é o costume, não tão longinquo, de quebrar os ossos dos pés da menina, a partir de seus dois anos, enrolá-los em gaze, mantendo os dedos voltados para baixo. Isso porque a mulher que tivesse os pés maiores que 12cm era rejeitada pela sociedade e jamais conseguiria casar-se. A imagem frágil da mulher tentando equilibrar-se sobre os pés deformados e doloridos, em passos curtos, era adorada pelos homens.
Algo me diz que oriente e ocidente não estão assim tão distantes.
Louca pra chegar em casa e massagear os pés com Shiatsu!
Vocação pra ser feliz
Pobre do Povo
Sabe aquela história de que tem sempre alguém em pior situação do que a nossa?
Pois olhe que já vi casos, mas nunca tinha escutado algo assim.
Seguia para o trabalho, num ônibus, pensando nas minha lamúrias e tristezas. Quando ouvi o cobrador falando ao motorista:
- Trabalhei muito nesta campanha eleitoral. Agora, quando o fulano assumir de vereador, abre a vaga na secretaria e eu assumo.
- É sério? Que tu quer por lá? - indagou o motorista.
- Eu vou consertar as coisas, pra melhorar a vida do Povo. Tá vendo aquele buraco na calçada? Quem é que se rala? O Povo.
- Isso é certo. - resmunga o motorista.
- A Prefeitura tem que arrumar o buraco com o dinheiro de quem? Do Povo. Quem cai lá dentro e se machuca? O Povo. Ai, entra na justiça e vai ganhar a indenização com o dinheiro de quem? Do Povo.
Eu fiquei perplexa. O tal do Povo é caso sério mesmo. Nunca vi alguém entrar na justiça pra ganhar indenização, e por fim ter que pagá-la pra si mesmo.
Eu, aqui, reclamando da vida e... tem uns e outros, como esse Povo, se ralando de verdade.
Menos mal que, pelo jeito, o amigo trabalhou bastante na eleição só pra entrar numa Secretaria do Município e ajudar o pobre Povo.
Que sorte do Povo! Finalmente...
Os "pequenos" detalhes da Língua Portuguesa
Sou uma apaixonada por idiomas. Todos! Se pudesse faria cinco cursos ao mesmo tempo, de diferentes línguas. Não sei exatamente quando isso começou, pois na escola não era exatamente meu assunto preferido. Sempre gostei muuuito de ler. Mas a gramática, em si, não era meu foco. Aos poucos, porém, meu fascínio pelo vocabulário novo, etimologia da palavra, lógica lingüística, foi crescendo. Ontem, via um programa desses de superficialidades no canal por assinatura GNT. Gosto de vários programas do canal, mas esse era justamente um que não costumo estabilizar o controle remoto. Porém, falava do português e do francês, num determinado momento. Das palavras derivadas do francês na área da estética e moda. Pois, foi escutando um francês falar, que descobri algo para o qual nunca atentara: a palavra "maquillage" no francês, tem a supreção de pronúncia dos dois "eles", restando maquiage. No português, grafamos como se diz em francês, apenas acrescentando o "m" porque não há substantivo terminado em "ge" em português. Eu pasma, tentando verificar, com minha filha, as palavras: "coragem, carruagem, paragem, viagem...". Então porque é que nunca me explicaram isso? Não seria mais fácil para as pessoas entenderem porque é laje, com "j", e não lage, por exemplo? Descobrimos a América graças ao francês no programa desuperficialidades. Ai, ai. A vida é mesmo surpreendente...
Mandando letras sobre o papel
Havia tanto da pessoa, do momento, do sentimento, na forma como escrevia, na maneira como consertava erros, nos detalhes que se acresciam à composição no papel.
Amei tanto, cada um destes momento, que guardei tudo, absolutamente tudo o que recebi pelo correio.
Hoje relembrei esta alegria, ao mandar para uma amiga um cartão postal cheio de minhas letrinhas. Ela mora na mesma cidade que eu, nos falamos pelo telefone e nos vemos pessoalmente algumas vezes até. Mas isso não diminui em nada a delícia que é recuperar este sentimento e fazer este carinho para alguém.
Mande você também uma carta, um cartão postal...
Não sabendo para quem, minha caixinha de correio está de "porta aberta".
Schapochnik
Despir-se e ser feliz!
Por aqui, a primavera!
Devo saudá-la com entusiasmo e respeito.
Durante seu reinado cheguei a esta vida.
Deve se por isso que tanto me alegro
Com a simples data do mês de setembro!
Poéticas palavras-imagens de Ana da Palma.
Molho Pesto
Como disse, eu gosto do de manjericão, e como é quase impossível achar piñoles por aqui, faço quase sempre com nozes, embora já tenha provado com avelâs, castanhas ou amêndoas e ache o resultado bem interesante também.
Pra mim há dois segredos essenciais para qualquer coisa que se faça na cozinha:
- Bons ingredientes;
- Curtir o que se está fazendo com os cinco sentidos!
Eu opto quase sempre por:
- Manjericão comum e italiano comprados na Feira Ecológica de sábados
- Azeite de Oliva com até 0.5 de acidez
- Queijo parmesão uruguaio comprado na Banca 26 do mercado público
- Nozes da mesma banca (ou, muito melhor, fornecidas pela amiga lá de cima, trazidas de sua terra natal...)
Colocar no liquidificador o azeite de oliva, as nozes, o queijo parmesão e o alho, pulsando só até que as nozes fiquem em pedaços grandes. Desligar o liquidificador. Acrescentar as folhas do manjericão (sem talos, flores e brotos - estes últimos deixm o pesto muito amargo - são aquelas bolinhas mais duras, junto às extremidades e às folhas mais miúdas). Mexer bem com uma colher e só então pulsar novamente. Repetir a operação até que todas as folhas de pesto tenham sido acrescentadas. Colocar num recipente de vidro que tenha sido esterelizado (fervido em panela com pano no fundo e seco ao natural). Depois de colocado todo o pesto acrescentar um fio do azeite de oliva para "selar" bem. Sempre que o consumir verificar se não é preciso acrescentar o fiozinho de azeite. Guardar fora da geladeira.
Bon appetit!
Para onde vamos?
Se no passado disséssemos:
- No futuro, as pessoas de bom senso, preocupadas com a saúde e bem estar, caminharão, num percurso, normalmente em círculos, por um tempo determinado de seus dias, preferencialmente 4 vezes por semana.
Tenho certeza que quem nos ouve diria:
- E para onde estariam indo?
E nós:
- Para lugar algum. Seria apenas para cumprir a quota diária de exercícios.
- Então o trecho que percorrem para deslocar-se ao trabalho, às escolas dos filhos, ao vizinho, para visitar familiares e amigos já não será suficiente?
- Não. É que farão tudo isso sobre rodas, sem mover as pernas, e, por isso, terão que separar um momento do dia para caminhar em círculos...
(?????????)
É... tenho um certo problema quando retorno à atividade física. Muita filosofia!
Ah, no meu mundo...
Dia dos namorados
Você acaricia-lhe os cabelos,
sem motivo aparente,
sem data, sem esperar nada?
Olha no fundo dos olhos,
reparando em detalhes
respirando, inspirado, em ode?
Saiba que ela espera,
independente do tempo
São possibilidades,
Ou mera necessidade?
Vento Sudeste
E ele que sempre fora do verão, chegou no inverno
Não como um sopro forte, que destrói vidas
Veio como a brisa, quase num murmúrio
Sem ferir a pele, sem abrir feridas
Então de constante e suave
Derrubou portas e invadiu minh'alma
Sem pedir licença, inundou recônditos
Dominou minha mente, agitou a calma
E de tão distante, posou resoluto em meu colo
Trazendo a lembrança de um tempo terno
Cobrou sem dolo um sentimento quieto
Como se fora certo, como se fosse urgente
Como se não fosse inverno
Contradições
Tolerância
Vezes acho que estou ficando velha
Vezes que talvez
Tolero menos algumas condutas
Principalmente se não fui eu quem fez
Trato
Já que é inevitável,
- hei-las sempre, na vida -
Farei de todas as quinas,
Que estiverem em meu caminho,
Meras ex-quinas.
E logo que dobrá-las,
Ainda que sem saber,
Terei aprendido um tanto,
Virando esquinas da vida.
A doçura que perdemos
Ela olha. Ele sacode a pequena caixa de papelão, batendo junto à calçada de pedra fria. Ela acomoda-se no colo quente da mãe que ajeita as figuras de madeira enquanto passamos.
Ele olha. Busca acomodar-se. Uma enfermidade, da qual nada sei, há anos lhe acometeu. Desde muito menina, como ela, lembro de caminhar pelo calçadão do centro da cidade observando seu rastejar, de bruços, queixo levemente erguido do chão, tilintando algumas moedas na caixinha de papelão.
Faz alguns poucos anos, porém, que as mães guaranis escolheram a mesma calçada para sentar-se, o dia todo, com seus filhos a mostrar onças, macacos, jacarés, esculpidos em madeira. Há menos ainda, deixaram de sobreviver apenas do dinheiro recebido por eles. Esmolam, agora, também
. Mais uma vez passo por eles. Muitos passam.
Ela olha, ele olha. Poucos vêem.
Um homem abaixa-se perto da caixinha, que ainda nem tilinta moeda alguma. É bastante cedo. Ele olha, na caixa, a bala deixada, de papel vermelho. E sorri. Começa a rastejar, com dificuldade. Por algum tempo. Empurra com a lateral dos calcanhares tortos, o peito sobre a laje fria. E rasteja. Empurra. Eles passam. Ele empurra o corpo e a caixa, carregando a bala dentro. Eles desviam. O tempo passa. Ele chega. Ela olha. Devagar, com a dificuldade de arrastar o braço longo ao longo do corpo, ele apanha a bala e estende. Ela sorri. Apanha a bala e retira o papel vermelho. Limpa, com o dedo, o nariz que escorre. E sorri. Ele sorri, fechando os olhos. Reinicia sua trajetória ao centro da calçada. E se arrasta. Nós andamos. Seguimos nossa trajetória. Ela olha. Nós não vemos. Chegaremos tarde. Nós corremos.
O luxo das coisas simples
Há muito, venho questionando o estilo de vida que levamos, em geral, principalmente nas grandes cidades.
Percebo que os momentos que me deixam mais feliz são aqueles tão simples como sentar debaixo de uma árvore para ler um livro, preparar uma receita (melhor ainda se a seis mãos - eu e
meus filhos), acompanhar o desenvolvimento de um botão das minhas flores, conversar com um amigo querido, caminhar com meus filhos observando coisas corriqueiras, como um pássaro nas árvores, escrever (e receber!) uma cartinha, escrita a mão, para alguém querido...Então por que é que cada vez mais tenho menos tempo para tudo isso? Por que não construo a vida de modo a proporcionar-me (nos) mais momentos como estes? Por que, e para onde, corremos tanto?
Além disso as "necessidades" cada vez maiores que nos provocam o consumo para sermos felizes:
Quais são estes momentos pra você?




