A difícil tarefa de educar

Tá fácil. Já não é preciso pensar em educação. Gastar horas e neurônios pensando em formação, raciocínio, compreensão, aprimorando condutas. Basta proibir...

Proibimos as carroças, proibimos direção e qualquer dose de bebida, proibimos álcool nos estádios, fumódromos, celulares em sala de aula.

Deviam proibir público nas salas de cinema.

Pais e filhos, sem a menor noção de convivência em sociedade, freqüentam as salas. Fala-se alto, ao telefone, corre-se na frente da tela, chuta-se a cadeira de quem está na frente, o filho chora, pede pra sair, e o pai ignora... não sei para que perdemos tempo matriculando estas crianças em escolas.

Ah, no meu mundo...


"No meu mundo você não diria miau,
Você diria: - Sim, Dona Alice.
Porque se esse mundo fosse só meu,
os animais falariam
as flores cantariam
Ah, no meu mundo!"


Alice no País das Maravilhas
Lewis Carrol


E você, como seria o SEU mundo?

Você sabe a resposta?

Modelo

Trago comigo muito amor ao meu estado de origem, muita vontade de vê-lo realmente vibrante, forte e justo.

Sempre tive, porém, diculdade para cantar o hino do estado em função da seguinte frase:

"Povo que não tem virtude,
Acaba por ser escravo."

Bastante preconceituosa, na minha opinão, e que insinua algo com o que não concordo.

Mas confesso que, na atual conjuntura política do RS, o que não está realmente passando é:

"Sirvam nossa façanhas de modelo à toda terra".

Dia dos namorados

Você acaricia-lhe os cabelos,
sem motivo aparente,
sem data, sem esperar nada?

Olha no fundo dos olhos,
reparando em detalhes
respirando, inspirado, em ode?

Saiba que ela espera,
independente do tempo
São possibilidades,
Ou mera necessidade?

Tricot para acidentados


Há uns anos, para alegrar minha filha (então com 10 anos) que havia colocado gesso na mão em função de um dedo quebrado, fiz uma tipóia de tricot, com direito a listras, coraçãozinho e lã pink mesclada.

Também foi a oportunidade para testar, pela primeira vez, fazer um I-cord de tricot. Não parei mais de usar na minhas receitinhas...

Ela adorou usar a tipoia, e foi uma forma fofa de ver as coisas de um jeito mais divertido!

Shakespeare para crianças


Essa é pra quem tem filhos, ou apenas curte teatro de boa qualidade. Voltou a cartaz a peça "A Tempestade e os mistérios da Ilha", adaptação da obra homônima de Shakespeare, encenada pela Santa Estação Cia de Teatro e dirigida por Jezebel de Carli.

Uma obra!

Lembro-me de ter escrito um e-mail para várias pessoas no ano passado falando da minha surpresa ao sair do teatro. Meus filhos simplesmente amaram! Eu?, sai do teatro muito feliz de ver tanta qualidade (e por termos nos divertido tanto). A adaptação é ousada e nada óbvia, a direção é rica, milimetrada, os atores, um melhor que o outro, figurinos, cenário, iluminação, trilha sonora,tudo do bom e do melhor. Não deixe seu filho perder essa chance.

Teatro de Câmara - Rua da Répública, 575, sábados e domingos às 16h, até 29 de junho.

No conservatório de dança

Quem é essa que tanto conheço,
Tão resoluta, compenetrada,
Quem é essa que tanto se parece,
Mas em quem não me reconheço?

Onde estão minhas falhas?
Onde estão meus defeitos?
Duas décadas menos
Onde está esse tempo?

Tão segura de si
Equilíbrio nas pontas
nos caminhos, nos meios

Não exibe, não compete
Desafia-se e vence
Ela dança, ela dança,

Eu aprendo.

Consumidor - cidadão

Na zona Sul de Porto Alegre, há duas grandes redes de supermercados: o Zaffari Bourbon e a Wall-Mart (com os supermercados Nacional e BIG). Quando quero exercitar meu lado "consumidorcidadão", vou na última. É um ótimo exercício, mas há que se avaliar se não estão muito altos seus níveis de estresse e pressão sangüínea. Uma incomodação, no mínimo, por vez, é garantida.

A última:

Compro Corn Flakes, da Kellogs. Estou apaixonada pelas embalagens que trazem imagens de antigas, produzidas para o cereal.


Resolvi aproveitar a promoção:



Repararam? Na compra de duas embalagens o adoçante, grátis.

Pois é. Mas o preço da promoção era R$ 2,18 superior ao de duas caixas separadas do produto.

Alertei, no caixa, para o problema "matemático". Quase 20 MINUTOS DEPOIS, tive o desconto no MEU cupom fiscal:


Mas, ainda que tivesse salientado que, além desse cereal, outros da mesma marca tinham essa incongruência de preços, nada foi feito para alterá-lo na prateleira, e outros consumidores, mais distraídos e desavisados, estão comprando gato por lebre. Isso me deixa fula da v. Mas isso é BIG. "Provoque sua paciência até não agüentar mais, ai acabe com ela com BIG!"

Argh!

Pega mal pro supermercado, pra Kellogs e de quebra, até para o adoçante Linea. Quem pode fazer algumas coisa com essa picaretagem (que é recorrente em promoções do tipo no BIG)?

O Grito

Das outras vezes em que estive em São Paulo, acabei, por um motivo ou outro, não indo ao Museu Paulista (mais conhecido como Museu do Ipiranga).

Uma das coisas que me impedia de fazê-lo, acho eu, é que o povo assusta um pouco, dizendo que não se chega de metrô, é longe, etc.
Bobagem.
Coisa muito simples. Desce-se na estação Alto do Ipiranga do metrô (aproveitando para conhecer esta que eu acho é a mais bela estação de metrô de São Paulo - fora a Luz, claro):

Em seguida, pegue o ônibus elétrico (tipo Trolibus) Gentil de Moura (linha 113) e peça para descer próximo ao Museu (na Av. Nazaré).

Assim você não vai deixar de conhecer isso:

E isso:

Viram que rola até um arco-íris, presenteado pelas fontes que habitam os inscríveis jardins?!

E ver o belo acervo do Museu (belo na proporção do que temos no Brasil sobre nossa história...).

Mas se você é como eu, e gosta de levar alguma coisinha de todas as lojinhas de Museu que visita pelo mundo (no meu caso lápis, para a coleção), não vá entre meio-dia e 14h. Parecendo um museu de pequena província (e não de uma cidadezona como São Paulo), a lojinha do Museu Ipiranga FECHA nesse intervalo para almoço (?!). :(

Feriado em São Paulo

Estou, desde o dia 21, com filhos e marido, em São Paulo. Não, nós não fomos para a Parada Gay. Se bem que estava bem divertido participar deste momento alegre...
Volto a postar depois, com alguns comentários sobre fazer turismo em SP (com crianças...).

Vento Sudeste

E ele que sempre fora do verão, chegou no inverno
Não como um sopro forte, que destrói vidas
Veio como a brisa, quase num murmúrio
Sem ferir a pele, sem abrir feridas

Então de constante e suave
Derrubou portas e invadiu minh'alma
Sem pedir licença, inundou recônditos
Dominou minha mente, agitou a calma

E de tão distante, posou resoluto em meu colo
Trazendo a lembrança de um tempo terno
Cobrou sem dolo um sentimento quieto
Como se fora certo, como se fosse urgente
Como se não fosse inverno

Fatiando CDs

Li o seguinte anúncio:
Fragmentadora Aurora de Papel,cartão e CD em Tiras

Fragmentadora de papel, cartão e CD. Corta até 8 folhas A4 75Gr ou 1 CD ou 1cartão por vez em tiras de 6mm. Cesto com capacidade para 46 folhas. Cesto com rodas. Nível de segurança 2. 110v.

Já imaginaram?! Queria uma dessas só pra inventar coisas com CDs fatiados...

Amélia é que era mulher de verdade

Minha amiga dona de casa,


Você que não consegue manter limpas e brilhosas as suas queridas panelas de aço inox...?

Há tempos ficava frustada pois não conseguia tirar as manchas amareladas que insistiam em surgir nas minhas caríssimas (de bem quistas e de salgadinhas no preço também) panelas de inox. Tentei todas as dicas indicadas pelo fabricante e na internet que encontrei. Mas nada! Pois foi que me lembrei que, quando era adolescente, alguém me ensinou a limpar meus anéis de prata com pasta de dente.

Sim, meu senhor, minha senhora. Me coloquei a esfregar as panelas com meu tubo de Colgate, e tcham, tcham, tcham, tcham. Algumas esfregadelas em círculo depois: lindas e brilhosas!

Agora a pasta de dente também é item obrigatório na minha cozinha!


Música pra ver e ouvir (palavras pra ler e curtir)

Um amigo que foi assistir ao show da Vanessa Longoni, citado no post do dia 8 de maio, escreveu o seguinte:

"O espetáculo começa Vanessa: uma mulher - me parece - dessas que não votariam no Bush, não jogam papel na rua e choram quando cortam cebola. Na verdade, dessas que choram também sem as cebolas. Olhar rápido e profundo, encarava principalmente os das primeiras filas. Tanto que certa hora fiquei com vontade de dizer: - Olá, que tal? E certamente ela responderia perguntando se eu ia bem, essas coisas, realmente querendo saber. Mas eu não falava, eu ouvia e via: o corpo pequeno e ágil, com movimentos delicadamente estudados e harmônicos, perfeitamente compassados com os acordes sobre o outono. E a voz (ah, a voz) de uma gigante, tamanha a força e beleza, com um afinamento de dar inveja. Pois assim termina o show: Longoni.
Muita técnica, muita arte, muita beleza e muita música boa. Falar dos músicos é dar tiro em Ximango, principalmente o baixista, o percussionista, o de sapato amarelo e sua gaita e o das cordas. Ou seja: uniformes e integrados. Mas, pra não ficar só nos elogios, uma coisa ruim, muito ruim: o espetáculo termina. E mais: sou contra o CD. É música pra ver e ouvir. O correto seria um DVD."
Roberto Trindade
Viram por que eu pedi autorização pra publicar? Até pra comentar um show, o cara escreve bonito assim (?!). Pois aguardem que em breve vou falar do primeiro livro de contos que esse mesmo cara vai publicar. Conheço os contos. Por isso, recomendo.

Pequenos detalhes / Boas idéias

Adoro encontar coisinhas inteligentes para a casa!

Essas são minhas duas últimas aquisições:

Tesoura de corte múltiplo (meu cabelereiro já usou algo semelhante em meus cabelos (?!). Para cortar temperinhos, rapidamente e bem finos como eu gosto, é uma beleza.




E pegadores de panela feitos de silicone. É só encaixar e pronto! Dedinhos protegidos...



Adorei!

Contradições

Mas por que é que dizemos:

- A preço de banana (quando algo é muito barato).


e


- Custou uma banana (quando algo é muito caro)?
Alguém pode me dizer?!

Todas as minhas mães

Dia das mães e eu, com a minha e meus pimpolhos, pensando: a gente é mesmo resultado de uma genética e cultura familiar. Explico a frase óbvia:

Conheci uma de minhas bisavós. Quisera eu poder conviver com ela agora. Isso porque a "Vó Olga" tinha um talento muuuito especial para tudo que envolvesse trabalhos manuais e criatividade. Aos poucos, isso foi ganhando mais e mais importância na minha vida e, hoje, seria maravilhoso aprender um pouquinho com ela.

De minha avó materna herdei o amor pela cozinha. Adoro cozinhar! Claro que estou bastante longe de fazer as maravilhas que ela fazia, mas tenho certeza de que ela também não nasceu sabendo, então, quem sabe, um dia eu chegue lá.

Minha avó paterna também tinha talento para cozinha, mas não acho que essa seja a característica principal que herdei dela. Identifico-me mais com o caráter agregador que ela tinha. Costumo ser, na família, no trabalho e com os amigos, aquela que gosta de reunir, que não esquece datas. Isso era a cara da minha querida "Oma".

Mas o que eu acho mais difícil, de todas estas mulheres da minha vida, é poder alcançar a mulher que é minha mãe: todas as características citadas acima a descrevem, e mais tantas... Com ela aprendi a gostar de ler, de idiomas, de procurar a cautela, a paciência, a tolerância e o respeito. E muitas outras coisas que a gente sempre aprende com as mães. Todos que a conhecem se encantam, não é babação de filha. Privilégio meu que ela é MINHA mãe.

Neste espaço vão aparcer, aos pouquinhos, as coisas manuais, gastronômicas e do mundo dos livros. É para isso que criei as "tags": Sumo doce, No Papel e Mãos na Terra.

Devagarinho. Trocando o pouquinho que vou aprendendo e tentando realizar.

Mais Talento

Gente,

Tá certo que isso tá parecendo agenda cultural da cidade, mas é que o que é bom dá vontade de compartilhar.

O show com Vanessa Longoni - A MULHER DE OSLO - está comemorando 2 anos de apresentações. Inspirado num conto de Eduardo Galeano (A paixão de dizer), que fala de uma mulher em Oslo que canta e conta histórias de sua vida, o espetáculo é bem cuidado, sob a detalhada e competente direção de Roberto Birindelli.

Vanessa, acompanhada de Arthur de Faria (acordeon e piano), Angelo Primon (sitar, viola, violão), Clóvis Boca Freire (baixo e contrabaixo) e Diego Silveira (percussão), traz uma energia maravilhosa, que potencializa o efeito que é ouvir o belo repertório através de sua voz: é forte, sensual, emocionada.

O repertório do espetáculo é composto por canções de Arthur de Faria, Nico Nicolaiewsky, Cláudio Levitan, Elomar Figueira de Mello, Pedro Ayres Magalhães, Rossana Taddei, Omar Giammarco, Gorán Bregovic, André Abujamra, Dulce Pontes, Alanis Morissette e Leo Maslíah, além de canções folclóricas brasileiras. Em 2006, A Mulher de Oslo ganhou o Prêmio Açorianos de Música como Melhor Espetáculo.

O CD está prometido para este ano (um já é meu), mas nada que possa substituir assistir ao delicioso espetáculo! Não perquem...

Tolerância

Vezes acho que estou ficando velha
Vezes que talvez
Tolero menos algumas condutas
Principalmente se não fui eu quem fez

Talento


Dia desses fui assistir ao espetáculo "Por Você". Uma exceção, já que há muito fico devendo para amigos, conhecidos e desconhecidos - e principalmente a mim mesma - uma agenda cultural mais ativa. Não posso deixar de registrar o quanto fiquei contente em, mais uma vez, constatar como é possível fazer tanto com tão poucos recursos. "Por Você" é delicado, sensível, irônico, bem humorado, divertido, romântico, lúdico e muito bem executado.

Surpreende-me ainda mais porque conheço uma das criadoras disso tudo, Suzana, e não sei como é tendo que fazer tantas coisas ao mesmo tempo - é profissional, estudante, mãe, esposa, filha, dona de casa, amiga, comadre dedicada - conseguir realizar algo assim.

O espetáculo serviu de trabalho de conclusão do curso de Licenciatura em Dança da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs) para Suzana Schoellkopf e Márcio Barreto. A dupla criou um espetáculo que mistura música ao vivo com elementos de dança, circo e teatro para falar de amor. No palco, Daniel Barcellos, Débora Brandt Alencastro, Gilbran Mena Barreto, Itiberê Alencastro, Márcio Barreto, Marcos Guarani, Silvia da Silva Lopes, Simone Schuster, Suelen Duarte Porto e Suzana Schoellkopf.

Uma pena que a curtíssima temporada no Museu do Trabalho (Porto Alegre/RS) tenha terminado. Não sou de distribuir conselhos sem que me peçam, mas, quanto voltar a cartaz, seja onde for, procure não perder.

Quando começa o ano

Tenho um amigo que deseja Feliz Ano Novo quando fazemos aniversário. Vai dizer, é bem razoável, não?
Por estas paragens, diz-se que o ano começa depois do carnaval, ou em março. Pra mim começou bem, e já faz tempo. Por aqui, veja só, 28 de fevereiro e só agora venho dar as caras.
Mas em 2008 sei que vou pintar muito por aqui...
Por ora, Feliz Ano Novo!, e uma dica para quem esta em POA:


Programa de cinema - Verão Ambiente/2008
do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo
Rua dos Andradas, 1223 - Porto Alegre
Curadoria de Giovani Borba
de 28 de fevereiro a 1º de março de 2008.
Entrada Franca. Participe!

Certezas...

2007 foi um ano difícil.
Pra quem me conhece, pode soar cretino, afinal fiz coisas maravilhosas no seu decorrer.
Uma delas, uma viagem há tanto planejada (e inesquecível).
Meus filhos mais e mais incríveis, tornando-se pessoas melhores a cada dia.
Mesmo assim, quero me despedir do ano e investir em novas esperanças.
Talvez porque o estado da federação onde eu more seja "uma fábrica de más notícias", como tantos têm dito. Há algo muito pessimista - e que insiste em nos puxar pelo pé para baixo - no ar.
Amo o que faço, mas nunca foi tão difícil trabalhar.

"O mundo estã como está, por causa das certezas. A guerra e a vaidade comem na mesma mesa" Há alguns anos, em visita ao Uruguai, fui à caça de Cds de um cantor até então desconhecido por aqui. Voltei com a mala cheia de Jorge Drexler.
Ouvia ontem.
É bom esse cara!

Fronteras
Jorge Drexler

"Yo no sé de dónde soy,
mi casa está en la frontera
Y las fronteras se mueven,
como las banderas.

Mi patria es un rinconcito,
el canto de una cigarra.
Los dos primeros acordes
que yo supe en la guitarra

Soy hijo de un forastero
y de una estrella del alba,
y si hay amor, me dijeron,
toda distancia se salva.

No tengo muchas verdades,
prefiero no dar consejos.
Cada cual por su camino,
igual va a aprender de viejo.

Que el mundo está como está
por causa de las certezas
La guerra y la vanidad
comen en la misma mesa

Soy hijo de un desterrado
y de una flor de la tierra,
y de chico me enseñaron
las pocas cosas que sé
del amor y de la guerra."

Sem muitas certezas, que venha 2008!

P.S.: Daltro, "Se há amor, me disseram, toda distância se salva". Beijo.

Trato


Então está decidido!
Já que é inevitável,
- hei-las sempre, na vida -
Farei de todas as quinas,
Que estiverem em meu caminho,
Meras ex-quinas.
E logo que dobrá-las,
Ainda que sem saber,
Terei aprendido um tanto,
Virando esquinas da vida.

A doçura que perdemos

Ela olha. Ele sacode a pequena caixa de papelão, batendo junto à calçada de pedra fria. Ela acomoda-se no colo quente da mãe que ajeita as figuras de madeira enquanto passamos.
Ele olha. Busca acomodar-se. Uma enfermidade, da qual nada sei, há anos lhe acometeu. Desde muito menina, como ela, lembro de caminhar pelo calçadão do centro da cidade observando seu rastejar, de bruços, queixo levemente erguido do chão, tilintando algumas moedas na caixinha de papelão.
Faz alguns poucos anos, porém, que as mães guaranis escolheram a mesma calçada para sentar-se, o dia todo, com seus filhos a mostrar onças, macacos, jacarés, esculpidos em madeira. Há menos ainda, deixaram de sobreviver apenas do dinheiro recebido por eles. Esmolam, agora, também. Mais uma vez passo por eles. Muitos passam.
Ela olha, ele olha. Poucos vêem.
Um homem abaixa-se perto da caixinha, que ainda nem tilinta moeda alguma. É bastante cedo. Ele olha, na caixa, a bala deixada, de papel vermelho. E sorri. Começa a rastejar, com dificuldade. Por algum tempo. Empurra com a lateral dos calcanhares tortos, o peito sobre a laje fria. E rasteja. Empurra. Eles passam. Ele empurra o corpo e a caixa, carregando a bala dentro. Eles desviam. O tempo passa. Ele chega. Ela olha. Devagar, com a dificuldade de arrastar o braço longo ao longo do corpo, ele apanha a bala e estende. Ela sorri. Apanha a bala e retira o papel vermelho. Limpa, com o dedo, o nariz que escorre. E sorri. Ele sorri, fechando os olhos. Reinicia sua trajetória ao centro da calçada. E se arrasta. Nós andamos. Seguimos nossa trajetória. Ela olha. Nós não vemos. Chegaremos tarde. Nós corremos.

Be spirit

Waterboys - Spirit Lyrics

Man gets tired
Spirit don’t
Man surrenders
Spirit won’t
Man crawls
Spirit flies
Spirit lives
When man dies
Man seems
Spirit is
Man dreams
The spirit lives
Man is tethered
Spirit free
What spirit
Is man can be

Presente de um amigo, que traz o que há de melhor em mim, em meu espírito. Ele que é mais instável, maluco, esquisito e adorável ser.

Thanks ;)

Ponto de Vista

Há bastante tempo, recebi um e-mail que contava uma história. Como muitos que recebemos todos os dias, não há como saber se a história é verdadeira, ou se outro daqueles "mitos" que correm pela internet. Mas isso, na verdade, pouco importa para mim.
O fato, é que a história mexeu comigo. É uma forma de encarar as coisas e de relacionar-se com o outro, muito diferente da que estamos vivendo em termos de padrões globalizados de comportamento, onde tudo gira em torno do indivíduo, da imagem e do consumo. Trata-se de uma lógica, um bom senso que desconcerta pela obviedade da justificativa e, paradoxalmente, pela surpresa que temos diante dela.

A história falava de um brasileiro que, vivendo na Suécia, relata coisas que são marcantes em seu dia a dia por lá.

Diz, entre outras coisas, o seguinte, que foi o que mais me marcou:

"A primeira vez que fui para lá, em 90, um dos colegas suecos me pegava no hotel toda manhã. Era setembro, frio, nevasca.. Chegávamos cedo na Volvo e ele estacionava o carro bem longe da porta de entrada (são 2.000 funcionários de carro). No primeiro dia não disse nada, no segundo, no terceiro... Depois, com um pouco mais de intimidade, numa manhã, perguntei:
'Você tem lugar demarcado para estacionar aqui? Notei que chegamos cedo, o estacionamento vazio e você deixa o carro lá no final.' Ele me respondeu simples assim: 'É que chegamos cedo, então temos tempo de caminhar – quem chegar mais tarde já vai estar atrasado, melhor que fique mais perto da porta. Você não acha?' Olha a minha cara! Deu para rever bastante os meus conceitos."

Não é uma bela maneira de se enxergar as coisas?

;)

E a classe média?

Meu filho, um pequeno garotinho, prestava atenção às músicas natalinas no shopping.

"Seja rico, seja pobre
O velhinho sempre vem..."

Ao que ele olha, e exclama, com as duas mãos em interrogação:

- E a classe média, mãe?!

O luxo das coisas simples

"Simplicidade é a sofisticação máxima."
Leonardo da Vinci

Há muito, venho questionando o estilo de vida que levamos, em geral, principalmente nas grandes cidades.

Percebo que os momentos que me deixam mais feliz são aqueles tão simples como sentar debaixo de uma árvore para ler um livro, preparar uma receita (melhor ainda se a seis mãos - eu e meus filhos), acompanhar o desenvolvimento de um botão das minhas flores, conversar com um amigo querido, caminhar com meus filhos observando coisas corriqueiras, como um pássaro nas árvores, escrever (e receber!) uma cartinha, escrita a mão, para alguém querido...

Então por que é que cada vez mais tenho menos tempo para tudo isso? Por que não construo a vida de modo a proporcionar-me (nos) mais momentos como estes? Por que, e para onde, corremos tanto?

Além disso as "necessidades" cada vez maiores que nos provocam o consumo para sermos felizes:
"Preciso trocar de carro";
"Eu tenho que comprar aquela bola";
"Como eu queria uma casa maior";
"Esse ano eu compro um ar-condicionado! Não é possível suportar o verão!".
Quantas e quantas vezes ouvimos isso de amigos, colegas, conhecidos. Como se a felicidade estivesse atrelada a algo que precisamos comprar, de preferência com uma boa marca que "assine". É observando a mim mesma que tenho a certeza que desviamos o olhar verdadeiro quando pensamos que existe em algo assim a nossa felicidade.
A alma lavada, o suspiro demorado, o calorzinho no peito, o sorriso despercebido brota de outras coisas que, muitas vezes sem querer, dão brilho à vida.

Quais são estes momentos pra você?
Qual é o seu luxo?

Sobre flores e jardins

Pois resolvi plantar, aqui, um jardim.

Tenho a tília no meu nome, mas não é só por isso que o flordetília fala de terra, sementes, água, vento...

Eu realmente procuro pensar na vida da mesma maneira que penso no jardim de minha casa, a que me dedico com tanto prazer, com tanto amor. A vida também precisa de cultivo. E ainda que possa parecer sonhadora demais a metáfora, afirmo-lhes que definitivamente não sei como sobreviveria sem a possibilidade do sonho.

Como escreveu Rubem Alves, "Plantar um jardim é coisa fácil. Basta que uma pessoa queira. Pode-se plantar um pequeno jardim na varanda de um apartamento. Mas para plantar um jardim-cidade, para isso é preciso que muitos sonhem com um jardim. É preciso um povo sonhador. Porque um povo, como disse Santo Agostinho, é um bando de pessoas racionais unidas por um mesmo sonho."

Vez ou outra desanimo, e penso que há interpéries demais. Mas, logo depois, há sempre um sopro novo, um novo botão lembrando que é preciso seguir. Nesse nosso jardim, sei que muitos destes momentos irão aparecer. Estarei junto a Rubem Alves buscando o jardim-cidade. Obrigada, Rubem. É sempre renovador ler tuas palavras. Se me fosse possível, sentaria todas as tardes para conversar, te ouvir. Sempre que tenho o prazer de me deparar com palavras tuas é assim que me sinto. Sentada na grama, debaixo de um pé de tília, proseando...

Escrevendo

Esta é uma estréia.
Bom, pelo menos nesse formato.
Escrever, para mim, sempre foi hábito.
Mantenho diários literários e gráficos, desde os 14 anos (e lá se vão mais de 20)...

É recente também, minha incursão como leitora no mundo dos Blogs.
Tudo começou lendo Rita Apoena.

E agora, parece que não posso mais evitar fazer parte do time.

Resisitir? Pra quê?!

Então, merda pra mim!